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Cobrimento de armaduras determina durabilidade de estruturas de concreto

Em estruturas de concreto, o cobrimento adequado das armaduras tem como função principal garantir proteção física e química para os vergalhões de aço. 

Falhas nessa barreira significam sujeitar as armaduras às agressões do meio ambiente, que induzem à corrosão do material e comprometem a capacidade de suporte de carga de toda a estrutura.  ” Quando a proteção é insuficiente em relação à agressividade de um ambiente, as manifestações patológicas surgem em poucos anos, levando ao desplacamento do cobrimento, à fissuração intensa, ao desaparecimento das armaduras e, em último grau, à deformação e ao colapso da estrutura”, cometa o engenheiro Egydio Hervé Neto, consultor das áreas de tecnologia e patologia em estruturas de concreto.

concreto

O cobrimento tem impacto também no desempenho da estrutura perante ao fogo. Isso porque quanto melhor for a proteção das barras e fios de aço, maior será o tempo de resistência da estrutura no caso de incêndios. “Em edifícios industriais, isso é especialmente crítico porque algumas segurados as levam em conta a espessura do cobrimento no cálculo do prêmio”, comenta o engenheiro Ênio Barbosa. 

Quanto maior for a espessura do cobrimento maior tende ser a proteção do aço. Como aumentar indiscriminadamente a camada de concreto não é recomendável – porque eleva o peso da estrutura, aumenta os custos e reduz a área útil construída – a saída é buscar um cobrimento ideal, que garanta a proteção desejada, sem excessos.

A ABNT NBR 6118:2014 – Projetos de Estruturas de Concreto estabelece cobrimentos mínimos para vigas, pilares e lajes. Os valores, que servem de referência para os projetistas, levam em conta quatro classes de agressividade ambiental ao qual as estruturas serão submetidas ao longo de sua vida útil e que variam de I (rural, o menos problemático), II (urbano), III (marinho ou industrial) e IV (pólos industriais, os mais agressivos). Isso significa que duas lajes idênticas de concreto armado deverão ter cobrimentos diferentes em função do grau de exposição a intempéries. Enquanto a laje exposta a um ambiente rural pode ter cobrimento nominal de 20mm e a mesma laje em uma construção sujeita a respingos de maré deverá ter cobrimento nominal de, pelo menos, 45mm.

O desempenho do cobrimento é influenciável pela especificação do concreto, que deve apresentar fck e relação água cimento adequados para assegurar baixa porosidade. Um recurso adotado pelos projetistas para diminuir o cobrimento é aumentar a resistência do concreto utilizado.

A qualidade do cobrimento também é impactada pela forma de execução, sobretudo nas etapas de lançamento do concreto e na cura. AS fôrmas e os escoramentos, por exemplo, deve garantir que não ocorram deformações durante a concretagem.

Alguns pontos da estrutura merecem atenção extra porque são mais suscetíveis a falhas no cobrimento, segundo Hervé Neto. É o caso dos pés de pilares na região de seu encontro com a laje de piso e do centro geométrico de grandes vigas e lajes, nas quais a armadura tende a ser empurrada para baixo por sua grande massa,

Uma das estratégias para garantir a geometria do cobrimento em estruturas de concreto armado é o uso de espaçadores ou distanciadores, posicionados entre a armadura e a fôrma. A função desses dispositivos é travar a armadura no local correto, evitando deslocamento durante o lançamento e o adensamento do concreto, garantindo uma cobertura homogenia.

Os espaçadores podem ser confeccionados em diversos materiais, como concreto, argamassa e plásticos de alta densidade. Os modelos plásticos são os mais utilizados pelas construtoras, por serem leves, chegarem prontos no canteiro, ter baixo custo e, principalmente, permitirem rápida colocação.

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“Embora os distanciadores plásticos possam auxiliar a manutenção da armadura no lugar certo, nem sempre a esse tipo de acessório é a melhor solução”, pondera Barbosa. Ele cita como exemplo as vigas muito pesadas, com alta densidade de armação, que costumam se adaptar melhor a espaçadores rígidos, como os de concreto.

Além disso, apenas distribuir os espaçadores nas fôrmas não é garantia de bom cobrimento. ” “É fundamental assegurar a fixação do acessório ao local para o qual foi previsto, bem como sua resistência mecânica às cargas para evitar deformações”, alerta Hervé Neto.

O cálculo do número de espaçadores deve levar em conta a bitola da armadura e os esforços incidentes. Via de regra, aços mais rígidos necessitam de menos espaçadores.

No momento da concretagem o principal cuidado é garantir que nenhuma peça tenha quebrado ou se deslocado. Nas ferragens positivas os espaçadores, geralmente menores, sã posicionados de modo intercalado nos encontros das ferragens. Já nas armaduras negativas o usual é empregar peças maiores, como os distanciadores treliçados, sempre de acordo com as orientações do projetista. O engenheiro Ênio Barbosa conta que um erro comum nos canteiros brasileiros é negligenciar a logística de execução. ” A circulação indiscriminada de trabalhadores sobre as lajes interfere no posicionamento das armaduras mesmo com o uso de espaçadores”, alerta, lembrando que esse tipo de deslize pode implicar em área com falhas de cobrimento, mesmo em uma estrutura bem projetada.

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